terça-feira, 11 de novembro de 2008

A VOZ DO SENHOR - PARTE 2

Observem que ele diz que podemos criar um clima que promove crescimento espiritual. Através de atos apropriados podemos influenciar o processo de revelação. Podemos estudar e orar, ocasionalmente podemos adicionar o jejum às nossas orações, podemos apresentar ao Senhor os nossos anseios, podemos guardar convênios sagrados – tudo ajudará a criar um clima favorável ao crescimento espiritual. Mas precisamos lembrar que quando tudo isto foi feito, depende do Senhor determinar quando a revelação vem, quando é dado, o que é revelado, e para quem.
Em conecção com o princípio que Deus determina todos os aspectos da revelação, eu gostaria de expor dois outros pontos. O profeta Jacó ensinou um princípio simples com estas palavras : “Portanto irmãos, não tenteis dar conselhos ao Senhor, mas, sim, recebei conselhos de sua mão” (Jacó 4:10). Pensem sobre isto por um momento. A sabedoria de Deus é infinitamente maior do que a nossa. Seu conhecimento é infinitamente mais completo. Quão tolos somos quando presumimos que podemos dizer como ele deve fazer o seu trabalho.
Existe também grande sabedoria no que alguns têm chamado o princípio do Gethsemane. Com o maior do merecimento e a mais profunda das súplicas, o Senhor pediu a seu Pai no Jardim do Gethsemane para remover a amarga taça do seu sacrifício que estava por vir. Mas o seu requerimento foi seguido imediatamente por estas profundas palavras: “Todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres” (Mateus 26:39). Nesta frase simples está a chave para desenvolvermos o desejo de deixar o Senhor decidir o que é melhor.

Princípio 2 : O conteúdo de uma revelação é mais importante do que a forma na qual ela vem.

Um outro erro que alguns de nós cometemos é desejar as formas mais dramáticas de revelação. Deus revela sua mente e vontade para os homens através de um amplo espectro de experiências. Estas podem variar desde as bem diretas às bem dramáticas: a aparição de seres divinos, visões abertas, fogo dos céus. Ou elas podem ser bem sutis: premonições silenciosas, pensamentos suaves, um sentimento de paz. Estes últimos exemplos são sem dúvida os mais comuns. Precisamos ser cuidadosos para não achar que somente as formas mais diretas de revelação são válidas. O Presidente Spencer W. Kimball alertou-nos contra essa tendência:
Até mesmo em nossos dias, muitas pessoas ... esperam que se haja revelação ela virá como uma manifestação tão estarrecedora a ponto de fazer tremer a terra...
Arbustos queimando – se, montanhas esfumaçantes..., os Cumorahs, e os Kirtlands foram realidades; mas foram também exceções. O mesmo volume de revelação que veio para Moisés e para Joseph vem para o nosso profeta atual de uma forma menos espetacular – através de impressões profundas, sem espetáculo ou glamour ou eventos dramáticos.
Sempre esperando o espetacular, muitos deixarão passar completamente desapercebido o fluxo constante de comunicação revelada. [Spencer W. Kimball, CR, Munich Germany Área conference, 1973,pp.76-77]
Nós precisamos aprender a nos contentar, não somente com o que o Senhor decide revelar-nos, mas também com a forma que ele escolhe para mandar –nos tal revelação. Como o Elder Packer advertiu, se tentarmos forçar para que uma manifestação espiritual seja de acordo com o nosso agrado, abriremos o caminho para sermos enganados.

Princípio 3: Revelações verdadeiras não são contrárias aos princípios do evangelho e nem entram em contradição com procedimentos da Igreja.

Este principio parece auto- evidente e de menção desnecessária, mas constantemente nós ouvimos sobre casos onde o princípio é violado. Estórias sensacionalistas ou rumores desatinados se espalham pela Igreja como fogo. Alguns chegam a ser ridículo, mas ainda assim existem aqueles que acreditam neles. Por exemplo, existe uma estória que tem sido contada há muito tempo sobre um andarilho supostamente acolhido por membros da Igreja. À medida que eles dirigem, o andarilho diz-lhes que se eles não têm armazenamento de comida agora, então é tarde demais. Aí ele desaparece misteriosamente do carro. Vocês pensariam que todos seriam cépticos sobre tal estória, mas sempre existem alguns que acreditam. Em um outro caso, uma pessoa predisse que o grande terremoto predito nas escrituras estava para atingir Utah. Por meses ele foi um orador bem requisitado em devocionais em Utah, e fitas do seu discurso foram amplamente distribuídas. Vocês se lembram de algum terremoto forte em Utah nos últimos anos ? Nem eu. Um outro homem calculou o dia exato que Cristo virá, e isto também se espalhou pela Igreja como uma sensação. As escrituras dizem que nenhum homem, nem os anjos do céu sabem o dia ou a hora da sua vinda (Mateus 24:36). Como fica aquele homem, de acordo com esta escritura? E porque não somos sábios o suficiente para ver a contradição? A citação a seguir é o que o Presidente Harold B.Lee disse sobre o assunto: Eu nunca deixo de admirar ao ver quão ingênuos alguns membros da Igreja são em contar estórias sensacionalistas, ou sonhos, ou visões, ou bênçãos patriarcais, ou citações, ou supostos trechos de diários pessoais de algumas pessoas...
...Nós descobrimos que tais coisas estão fazendo parte das reuniões da Sociedade de Socorro, do Quorum de elderes , serões, institutos, e seminários. Irmãos do sacerdócio, vocês que são defensores da fé,... parem de promover o trabalho do diabo... pois são obras de Satanás. [Harold B.Lee, CR, April 1970, pp. 55-56; ênfase acrescentada].
A linguagem usada nesta citação é forte e clara sobre o assunto: Quando visões, sonhos, línguas, profecias, impressões ou quaisquer outros dons extraordinários ou inspiração entram em desarmonia com as revelações aceitas na Igreja ou são contrárias às decisões das autoridades constituídas, os Santos dos Últimos Dias deveriam saber que não vem de Deus, não importando quão plausíveis possam parecer... Qualquer coisa em desacordo com aquilo que vem de Deus através do Presidente da Igreja não é para ser recebida como confiável ou possuindo qualquer autoridade. [“A Warning Voice,” August 1993, em Mensagens da Primeira Presidência, comp.James R. Clark (Salt Lake City: Bookcraft, 1970), 4:285, as cited by Harold B. Lee, CR, April 1970,p.55, ênfase acrescentado]
Foi claro o suficiente? Se o Senhor quiser nos avisar sobre a importância do armazenamento doméstico, ele não o fará através de um andarilho. Se vocês precisarem ser avisados de um terremoto, vocês não obterão esta notícia de uma fita cassete dado por um vizinho. Sejam os sábios, irmãos e irmãs. Quando tiver uma nova doutrina ou novos procedimentos para serem revelados, vocês os receberão de uma destas três formas:
a) Os lideres da Igreja farão um anúncio através de declarações e pronunciamentos oficiais à imprensa.
b) Será anunciado através do Churc News, the Ensign (A Liahona), ou outros órgãos oficiais da Igreja.
c) Será anunciado em conferência geral pelas autoridades constituídas.
Caso contrário nós devemos ser cautelosos em aceitá-los para nós mesmos e também não devemos compartilhá-los com os outros.

Principio 4 : O Senhor quer que usemos nosso livre- arbítrio e desenvolvamos autoconfiança espiritual.

De certa forma este principio pode, à primeira vista, parecer um paradoxo. Não há dúvida no fato de conselho, e direção. Por outro lado,as escrituras e os profetas nos advertem sobre termos que
ser dirigido em todos os aspectos da vida. De vez em quando encontramos pessoas que acham que ser “espiritual” significa que o Senhor irá inspirar ou confirmar todos os seus atos. Tudo que fazem é atribuído ao espírito. Em alguns casos eles submetem mesmo a mais trivial das questões ao Senhor para confirmação. Quando um jovem universitários muitos anos atrás, eu lembro de um professor ter falado algo assim: “Se você estiver vivendo pelo espírito, você saberá até mesmo que marca de pasta de dente comprar.” Eu fiquei muito impressionado na ocasião e desejei que algum dia eu pudesse alcançar aquele nível de “espiritualidade”. Hoje tenho um entendimento diferente do assunto.
As seguintes palavras lhes são familiares? Pois eis que não é próprio que em todas as coisas eu mande; pois o que é compelido em todas as coisas é servo indolente e não sábio; portanto, não será recompensado. [D& C 58:26]
Vocês deveriam estar familiarizados com tais palavras. Elas vêm do Senhor. Parece-me que se eu pedir ajuda espiritual para decidir comprar Kolynos ou Colgate, eu corro o risco de tornar-me indolente, e não sábio. Nós sabemos pelas escrituras que existem algumas coisas que não interessam para o Senhor, as quais ele deixa a escolha a nosso critério. Tem muitos lugares em Doutrina e Convênios onde vocês encontrarão esta frase: “não Me importa a mim” (ver, por exemplo, D&C 60:5, 61:22, 63:40). Está claro então que o Senhor não espera que nós busquemos ajuda em toda questão trivial. Como Presidente da BYU, o Elder Dallin H. Oaks falou sobre este assunto: É improvável que o Espírito do Senhor dê – nos revelação em assuntos que sejam triviais. Uma vez eu ouvi uma jovem, em uma reunião de testemunhos, elogiar a espiritualidade do seu marido, dizendo que ele submetia todo assunto ao Senhor. Ela contou como ele a acompanhava para fazer compras e não escolhia nem mesmo marcas diferentes de legumes enlatados sem fazer da escolha uma questão de oração. Isto me parece muito impróprio.[Dallin H.Oaks, “Revelation” BYU 1981-82 Fireside and Devotional Speeches (Provo: Brigham Young University, 1982), p.26]
Acertar o equilíbrio entre confiança no Senhor e autoconfiança espiritual é um assunto delicado, mas é bem claro que o Senhor não quer que sejamos autômatos espirituais que têm medo de moverem-se se não lhes disserem o que fazer.

Princípio 5: A uma pessoa não é dada revelação para dirigir uma outra pessoa a não ser que tenha responsabilidades familiares ou do Sacerdócio por ela.

Há algum tempo atrás eu falei em uma palestra do programa “Conheça a Sua Religião” em uma outra parte do País. O assunto era o mesmo de hoje. Depois que terminei, uma irmã veio até mim e disse-me que ela tinha vindo somente em busca de um amigo. Aí ela me contou o motivo. Ela e o marido não conseguiam ter filhos por muitos nos depois que casaram. Finalmente ela engravidou e eles ficaram ansiosos para se tornarem pais. Pouco tempo antes do tempo previsto para a criança nascer, ela começou a ter terríveis contrações e hemorragias. O marido levou-a para o hospital a tempo de salvar a sua vida, mas não a tempo de salvar o bebê. Vocês podem imaginar como eles ficaram desolados.
Mais ou menos uma semana depois do funeral, uma irmã da ala foi visitá-la. Esta vizinha falou-lhe que havia tido um sonho na noite anterior no qual lhe tinha sido revelado que se o pai tivesse dado uma bênção do sacerdócio antes de levá-la para o hospital, o bebê teria sido salvo. “Foi quando eu parei de ir à igreja,” disse-me a irmã. “O meu marido é um portador digno do sacerdócio, mas tudo o que ele conseguiu pensar naquela noite foi salvar a minha vida. Eu concluí que se Deus tinha deixado o meu bebê morrer sob tais circunstâncias, eu não queria mais ter nada a ver com ele.” Ai ela me disse: “Mas aquilo que aquela irmã me disse não veio de Deus, não é ?” Eu balancei a cabeça e disse não.
O que levou –a àquela conclusão? Veio de duas citações que li naquela noite. Permita-me ler para vocês agora. A primeira foi extraída de uma declaração da Primeira Presidência: “Em assuntos seculares tanto quanto espirituais, os Santos poderão receber orientação Divina e revelação concernente a eles próprios, mas isto não lhe outorga autoridade para dirigir os outros” (“A Warning Voice,” pp.285-86; ênfase acrescentada).
A segunda citação vem do Elder Oaks: Nós deveríamos entender o que pode ser chamado do “principio da mordomia” na revelação. Somente o presidente da Igreja recebe revelação para dirigir toda a Igreja. Somente o presidente da estaca recebe revelação para dirigir sua estaca. A pessoa recebe revelação para a ala é o bispo... Indivíduos podem receber revelação para suas próprias vidas. Mas quando uma pessoa diz ter recebido revelação para outra pessoa fora da sua mordomia... vocês podem ter certeza que tal revelação não é do Senhor. [Oaks, “Revelation,” p 25; ênfase acrescentada]
Aquela jovem mãe começou então a chorar e disse: “Eu estou tão feliz por vindo esta noite. Era hora de eu voltar para o Senhor”. Eu tenho certeza que a irmã da Igreja e vizinha que a visitou estava bem intencionada. Eu tenho certeza que ela sentiu que o sonho era do Senhor. Mas tivesse ela entendido este princípio, ela teria sabido que não era de Deus porque ela não tinha o direito de dirigir a vida daquele casal.
Lembram-se daqueles casos de “revelação hormonal” que encontrei enquanto ensinava o instituto? Eu disse para os meus alunos que eles não tinham que aceitar supostas “revelações” de outros sobre casamento a não ser que recebessem confirmação individual para eles próprios. Porque eu me senti seguro o suficiente para fazer tal declaração? Porque ela está dentro do mesmo principio de não receber revelação para dirigir uma pessoa sobre quem não temos nenhuma responsabilidade. A citação a seguir também é do Elder Oaks: Eu tenho ouvido sobre casos onde um jovem rapaz disse a uma moça que ela deveria se casar com ele porque ele havia recebido a revelação que ela deveria ser a sua companheira eterna. Se esta fosse uma revelação verdadeira, teria que ser confirmada diretamente para a moça se ela procurasse saber. Enquanto isso, ela não tem obrigação alguma de acreditar... Este jovem pode receber revelação para dirigir seus próprios atos, mas ele não pode receber revelação para dirigir a vida dela. Ela está fora da mordomia dele. [Oaks, “Revelation”, p.25; ênfase acrescentada]
Isto conclui os cinco princípios que podem servir como diretrizes no qual podemos julgar e medir os processos de revelação pessoal. Eles ajudam-nos a entender melhor como o Senhor trabalha com nós e ajudam-nos a avaliar quais as coisas que são verdadeiramente do Senhor e quais podem ser enganosas.
Chegamos agora na terceira, e quase que certamente, a mais importante das três perguntas.

Pergunta 3: O que posso fazer para aumentar minha habilidade para ouvir, reconhecer, e seguir a voz do Senhor?

Existem obviamente muitas respostas que poderiam ser dadas a esta pergunta: ser digno, procurar sinceramente o Senhor, orar sempre, seguir a liderança. Mas eu gostaria de responder de uma maneira um pouco diferente. Para isto, gostaria também de fazer uma pequena experiência com vocês. Apesar de sermos uma grande audiência, eu pediria silêncio absoluto por alguns instantes. Aí eu gostaria que vocês “escutassem “ o silêncio para ver o que conseguem ouvir. [Pausa] O que vocês ouviram? Puderam ouvir o zumbido do ar condicionado? Tem alguma coisa lá. Não sei se as luzes ou alguma outra coisa.
Vocês já ouviram aqueles sons antes? Porque não? Vocês entendem o principio agora? Se, como já foi dito, a voz do Senhor é mansa e delicada e sussurra, então se nossas vidas estiverem tumultuadas, será difícil ouvir. O Elder Henry B. Eyring fez a seguinte observação em seu livro publicado recentemente: O problema de vocês e o meu não é conseguir que Deus fale a nós: poucos de nós chegaram ao ponto onde Ele foi obrigado a se afastar de nós. O nosso problema é ouvir. [Henry B. Eyring, To Draw Closer to God [Salt Lake City: Deseret Book Company, 1997]; ênfase acrescentada]
Em nosso pequeno experimento, somente no silêncio foi que começamos a ouvir sons tênues e tranqüilos. No entanto eles estavam presentes durante todo o tempo. Outros sons nos cobrem, mascaram, ou distraem daqueles sons mais suaves. Se a voz do Senhor é mansa, suave, e sussurra a nós, então precisamos encontrar maneiras de reduzir o barulho interior em nossas vidas e criar momentos de tranqüilidade e sossego interior.
Existem muitas fontes de barulho interior. Algumas são evidentes. O pecado é certamente uma das principais fontes de “barulho” espiritual. O efeito é semelhante ao que barulhos altos e prolongados causam aos nervos auditórios. Perda de audição permanente pode resultar. Eu acredito que foi isto que Paulo queria dizer quando ele falou a Timóteo sobre “cauterizar a própria consciência” (1Timóteo 4:2). Significa que tornamo-nos insensíveis. O pecado rapidamente prejudica grandemente nossa sensibilidade espiritual. Ele pode gerar um barulho interior tremendo.
Ira e disputas são uma das maiores fontes de barulho interior. Lembram-se da estória do Profeta Joseph Smith durante os dias que estava traduzindo o Livro de Mórmon? Foi relatado que um dia o Profeta foi até a sala para traduzir mas não conseguiu. Ele depois admitiu que havia trocado algumas palavras ásperas com Emma. Ele pediu licença e foi fazer as pazes com a sua esposa. Depois de um tempo ele retornou e disse que estava pronto para prosseguir.
Outras fontes de barulho interior não são necessariamente ruins por si próprias. Cansaço físico, tensão, apatia, e preocupação podem criar outros barulhos interiores. Até mesmo barulhos externos podem depreciar-nos da tranqüilidade interior. O barulho é algo endêmico na nossa sociedade.
Vivemos confinados em meio a muito barulho externo. Nós ouvimos música em nossas casas e carros, assistimos televisão enquanto estudamos, e até mesmo compramos toca fitas e aparelhos de CD portáteis a fim de poder carregar conosco estes portadores de barulho quando fazemos Cooper ou caminhamos. Não que seja uma coisa ruim, mas é que muitas vezes pode interferir com os sussurros suaves que o Senhor nos dá. Uma certa pessoa fez a observação de antes que uma revelação fosse dada algumas pessoas, tinham que ter algo assim antes: “Nós interrompemos esta transmissão para trazer a você a seguinte mensagem.”
Irreverência é uma fonte de barulho interior. O Elder Boyd k. Packer falou o seguinte em um discurso de conferência: A irreverência é ideal para os propósitos do adversário porque ela obstrui os canais delicados da revelação tanto na mente quanto no espírito...
Os lideres muitas vezes se perguntam porque tantos membros ativos encontram-se em determinada condição na vida. Poderia ser porque eles não sentem o que precisam sentir porque as nossas reuniões são menos que poderiam ser espiritualmente?... Os líderes deveriam ensinar que a reverência convida a revelação. [Boyd K. Packer, “Reverence Invites Revelation,” Ensign, November 1991, p.22]
Permitam –me mencionar uma outra fonte comum de grande barulho interior, freqüentemente encontrado entre membros fiéis e obedientes. É o que o Elder Eyring em uma outra ocasião descreveu como “ter as expectativas muito altas.” Quando desejamos algo desesperadamente, cria-se uma grande confusão de emoções dentro de nós. E altas emoções podem mascarar ou cobrir manifestações espirituais.
Até mesmo quando a coisa que desejamos é boa – como por exemplo querer ajuda para um membro da família que está doente – nossos “desejos” podem ser tão altos que tornamo-nos relutantes ou incapazes de ouvir a vontade do Senhor sobre o assunto.
Resumindo, se a voz do Senhor é mansa, suave, e sussurra, deveríamos surpreender-nos que o seu conselho seja “Sossegai e sabei que Eu sou Deus” (D&C 101:16; ênfase acrescentada). Podemos aprender a ouvir a voz mansa e delicada somente à medida que somos sossegados, tranqüilos.
Felizmente, as escrituras e os profetas e os profetas nos ensinam como reduzir o barulho interior e criar momentos de silêncio e reverência. As seguintes idéias não serão nenhuma surpresa ou novidade para vocês, mas são de grande importância. Eu listarei somente umas poucas.
Ler e estudar a palavra de Deus é uma excelente fonte de tranqüilidade interior. Existe muito aqui que já entendem este principio. A vida deixou –os aborrecidos ou feridos. Por dentro vocês sentem-se como um caldeirão fervente e borbulhante de ansiedade e inquietação. Aí então vocês voltam-se para as escrituras. Quase que imediatamente vocês sentem as coisas começando a mudar. A borbulhação pára, a agitação dissipa-se, e paz vem para tomar o seu lugar. Eu mesmo experimentei isso muitas vezes em minha própria vida.
A oração é uma fonte de paz e serenidade interiores. Eu não estou falando de orações feita por obrigação do tipo “eu –tenho-que-fazer-o-meu-dever”. Eu falo de orações que são cheias de sinceridade. Eu falo de orações que fazemos quando o coração se enche de gratidão pelos incontáveis dons que Deus nos dá. Falo de orações que são consistentes, submissas à vontade de Deus.
Se a irreverência é uma excelente fonte de chiado, então nós podemos deliberadamente esforçar-nos para aumentar nossa reverência pessoal. Na reunião sacramental nós podemos sentar reverentemente e preparar-nos para os convênios que ali faremos. Podemos cantar os hinos prestando atenção nas palavras para que elas se tornem uma oração a Deus. Podemos dirigir nossa atenção ao que o orador está falando e tentar entender como os princípios sendo ensinados aplicam-se a nós.
Existe uma coisa bem simples, mas que é também uma das maneiras mais eficientes de sintonizar nossa audição interior para coisas espirituais. No convênio do sacramento nós testemunhamos para Deus que estamos dispostos a fazer três coisas. Uma delas, “recordá-Lo sempre”, é repetida nas duas orações sacramentais. Se guardarmos este convênio, o que Deus nos promete? Ter sempre consigo o seu espírito (ver D&C 20:77,79). Que promessa! Permita-me dar-vos um exemplo rápido de como aquela simples promessa pode trazer muita paz interior e tranqüilidade.
Uma grande fonte de barulho em nossa sociedade é dirigir em rodovias, um desafio que gerações anteriores não tiveram que enfrentar. Em Utah, no momento, isto tem particularmente acontecido. Depois de uma meia hora ou mais na rodovia, sentimos ira e frustração, irritação e impaciência. Alguns experimentam até mesmo fúria. Quando finalmente chegamos em nossos destinos estamos encolerizados ou estremecendo de medo. As próximas vezes que vocês entrarem em seus carros para dirigir em alguma rodovia, tentem a seguinte experiência. Parem por um momento e ofereçam esta pequena oração: “Ajude-me a lembrar do Salvador à medida que dirijo hoje. Ajude-me a tentar agir como ele agiria. Quando aquela pessoa na minha frente estiver falando no seu celular e não prestando atenção no trânsito, ajude-me a não dizer nada que o Salvador não diria.” Eu sugiro que isto não irá somente reduzir o barulho interior em vocês como também trar-vos-á a promessa do Senhor: “para que possam ter sempre consigo o seu espírito.”
Por último, uma das coisas mais importantes que vocês podem fazer quando estiverem procurando reduzir o barulho interior nas suas vidas é tirar tempo para ponderar e refletir. Fujam da correria da vida. Encontrem um lugar calmo e tire um tempo para simplesmente sentar e pensar, ouvir seus pensamentos e sentimentos, abrir-se para as impressões do Espírito. Observem o que os seguintes profetas disseram que estavam fazendo antes de receber importantes revelações. Néfi “Enquanto refletia” (1Néfi 11:1).
Joseph Smith e Sidney Rigdon: “E enquanto meditávamos sobre essas coisas” (D& C 76:19). Joseph F.Smith: “Sentei-me em meu escritório, ponderando sobre as escrituras; e refletindo” (D&C 138:1-2). Joseph Smith: “Minha mente se viu sujeita a sérias reflexões... refleti repetidas vezes sobre ela [sobre as palavras de Tiago”] (JS-H 1:8,12).
Às vezes precisamos deliberadamente deixar de lado as preocupações mundanas e a correria da nossa vida diária para encontrar um lugar tranqüilo e um momento de sossego onde podemos sentar e ponderar e refletir e meditar – e ouvir aquela voz mansa e suave que sussurra. Parte daquele tempo ponderandoserá para passar por cima dos seus próprios desejos. Vocês lembram-se –ão que não é adequado aconselhar o Senhor ou tentar dizê-lo o que é melhor para vocês. Vocês conscientemente lembrar-se-ão do principio do Gethsemane mencionado anteriormente e submeterão as suas vontades à dele.

Conclusão:

Repetirei agora o que já disse no começo: Um dos desafios mais importantes – se não o mais importante – para aprendermos como vir a Cristo e sermos aperfeiçoados nele são aprender a ouvir, reconhecer, e depois seguir a voz do Senhor. Felizmente o Senhor deu-nos este quase incompreensível dom do Espírito Santo – um membro da Deidade – para ser nosso companheiro constante e guia espiritual. Se aprendermos a distinguir a voz do Senhor das muitas outras vozes e sons que infestam nossas vidas, as promessas serão incrivelmente grandiosas. Eu citarei somente uma delas: Pois assim diz o Senhor – Eu, o Senhor, sou misericordioso e afável para com aqueles que Me temem, e Me deleito em honrar aqueles que Me servem em retidão e verdade até o fim.
Grande será a sua recompensa e eterna a sua gloria.[D&C 76:5-(6)].
Às realidades desta promessa eu acrescento meu próprio testemunho, tendo experimentado em algum grau as bênçãos que foram prometidas, e disto eu testifico em nome de Jesus Cristo. Amém.

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