terça-feira, 7 de outubro de 2008

O Conselheiro e o Remador


Era uma vez dois amigos que foram criados juntos. Aprenderam a engatinhar, nadavam no rio, brincavam e faziam tudo o que todos os meninos pequenos faziam juntos. Com o tempo foram se distanciando, como acontece com os bons amigos ao saírem para a vida.
O primeiro conseguiu descobrir prazer em aprender. Assim, investia boa parte do seu tempo nessa atividade. Nos estudos, em qualquer outra coisa que se determinava aprender. Nas horas em que concentrar-se não parecia muito fácil, usava uma frase para se manter atento e no caminho certo: Se isto faz parte da minha vida, eu o farei muito bem-feito. Fixava-se nos seus propósitos fazendo, primeiro o que era preciso, para depois, fazer o que queria. Assim, era comum triunfar nos exames. Quer seja da escola ou da vida profissional.
O outro amigo resolveu que não era preciso dedicar-se com muito cuidado. Na escola passava, mas estudava pouco. Obedecia sempre sua voz interior. Fazia primeiro tudo o que queria e, depois, no pouco tempo que lhe sobrava, atropelava-se para fazer o que era preciso. Nos exames não tinha lá tanto sucesso. Não conseguia vencer seu impulso de atender, primeiro, o que o desejo pedia.
O reinado abriu concurso para prestadores de serviço ao Rei. Os dois amigos passaram. A sorte maior apareceu para o primeiro. Foi contratado como conselheiro do rei. O outro conseguiu serviço de remador no navio da realeza.
Um dia, o rei e todos os conselheiros reais embarcaram para uma viagem no mar. Falavam de negócios enquanto aproveitavam a brisa que soprava do mar. Mais próximo da popa, os remadores suavam para fazer o navio seguir adiante.
O remador, vendo o seu amigo de infância bem a vontade em companhia do rei, ficou abalado.
_ Olhe só aquele preguiçoso, deitado na sombra, enquanto eu aqui derretendo neste calor infernal, disse para si mesmo enquanto continuava a remar. _ Por que ele tem o direito de estar lá, e eu não? Afinal, não somos filhos de Deus?
Quanto mais pensava, mais furioso ficava.
Já anoitecia e o remador não se conteve e começou a resmungar para outro amigo remador que estava ao seu lado.
_ Olhe aqueles inúteis. Intitulam-se conselheiros estratégicos, mas só ficam à toa, jogando conversa fora. Por que é que nós temos que usar tanto para puxar a carcaça deles contra a maré? Isto não é justo! Eles deviam estar aqui, remando também. Afinal, não somos filhos de Deus?
Naquela noite, ancoraram para pernoitar. O remador foi acordado no meio da noite, por uma mão que lhe sacudia. Era o rei em pessoa.
_ Há um barulho esquisito vindo daquela direção, disse apontando para a terra. _ Não consigo dormir, imaginando o que seja. Por favor, vá lá e descubra.
O remador pulou do navio e subiu para o alto de um morro. Voltou pouco depois.
_ Não é nada, Majestade, disse. _ Alguns lenhadores estão cortando árvores, por isso tanto barulho na floresta.
_ Ah, sim, disse o rei. _ Quantos lenhadores?
O remador não tinha se dado o trabalho de olhar com mais cuidado. Correu de novo morro acima e voltou.
_ Vinte e um, majestade, disse. _ E que tipo de árvores estão cortando? Perguntou o rei.
Isso também o remador não tinha reparado. Voltou lá.
_ Pinheiro, majestade, disse o remador. _ Ah, e por que estão cortando as árvores? Perguntou o rei.
O remador correu lá mais uma vez.
_ Para vender, disse o remador. _ Ah, e quem é o dono das árvores? Perguntou o rei.
Mais uma vez o remador sobe o morro.
_ Disseram que é um homem muito rico, majestade, disse o remador, praticamente sem fôlego. _ Está bem, disse o rei – Venha comigo.
Foram até a proa do navio e o rei acordou o amigo de infância do remador.
_ Há um barulho esquisito lá em cima daquele morro, disse-lhe o rei. _ Vá lá e descubra o que é.
O conselheiro desapareceu rumo a terra e voltou pouco depois.
_ É uma equipe de lenhadores Majestade. _ Disse-lhe quanto são? Perguntou o rei
_ Vinte e um majestade, respondeu o conselheiro. _ Que tipo de árvores estão cortando? Perguntou o rei.
Pinheiro, respondeu o conselheiro. _ Por que estão cortando as árvores perguntou o rei?
_ Para negociarem, Majestade. O reflorestamento dos pinheiros é do prefeito do vilarejo. Ele realiza os cortes a cada dois anos. O corte é autorizado, ele mostrou-me o ofício. Ele pede desculpas por tê-lo incomodado e para recompensar aguarda-o para o café da manhã que será preparado especialmente para recebê-lo. Majestade são toras de 4 a 5 metros, excelentes para construir casas.
O rei olhou para o remador, e disse:
_ Eu ouvi seus resmungos hoje cedo _ disse o rei _ Sim, todos são filhos de Deus. Mas todos os filhos de Deus têm os seus trabalhos a executar. Precisei mandá-lo 4 vezes a terra para obter respostas. Meu conselheiro foi uma só vez. E é por isso que ele é o meu conselheiro estratégico, e você fica com os remos do navio..

Árvore dos meus amigos

Existem pessoas em nossas vidas que nos deixam felizes pelo simples fato de terem cruzado o nosso caminho. Algumas percorrem ao nosso lado, vendo muitas luas passarem, mas outras apenas vemos entre um passo e outro.
A todas elas chamamos de amigo. Há muitos tipos de amigos. Talvez cada folha de uma árvore caracterize um deles. O primeiro que nasce do broto é a amiga mãe, o amigo pai. Mostram o que é ter vida. Depois vem o amigo irmão, com quem dividimos o nosso espaço para que ele floresça como nós. Passamos a conhecer toda a família de folhas, a qual respeitamos e desejamos o bem.
Mas o destino nos apresenta outros amigos do peito, do coração. São sinceros, são verdadeiros. Sabem quando estamos bem, sabem o que nos faz feliz...
Às vezes, um desses amigos do peito estala o nosso coração e então é chamado de amigo namorado. Esse dá brilho aos nossos olhos, música aos nossos lábios, pulos aos nossos pés.
Mas também há aqueles amigos por um tempo, talvez umas férias ou mesmo um dia ou uma hora.
Esses costumam colocar muitos sorrisos na nossa face, durante o tempo que estamos por perto.
Falando em perto, não podemos esquecer dos amigos distantes. Aqueles que ficam nas pontas dos galhos, mas que quando o vento sopra, sempre aparecem novamente entre uma folha e outra. O tempo passa, o verão se vai, o outono se aproxima, e perdemos algumas de nossas folhas.
Algumas nascem num outro verão e outras permanecem por muitas estações. Mas o que nos deixa mais feliz é que as que caíram continuam por perto, continuam alimentando a nossa raiz com alegria. Lembranças de momentos maravilhosos enquanto cruzavam com o nosso caminho.

Desejo a você, folha da minha árvore, PAZ, AMOR, SAÚDE, SUCESSO, PROSPERIDADE...
Hoje e sempre ... simplesmente porque: Cada pessoa que passa em nossa vida é única.
Sempre deixa um pouco de si e leva um pouco de nós.
Há os que levaram muito, mas não há os que não deixaram nada.
Esta é a maior responsabilidade de nossa vida e a prova evidente de que duas almas não se encontram por acaso.

Coração

Era uma vez um homem centrado em suas verdades... Falava através do silêncio.
Mas na transparência e na quietude de suas palavras, feito canção que se compõe entre os olhares dos apaixonados, surgiam versos como surge o perfume das flores.
Ainda que existisse, tantas vezes se perguntava se ele era real.Amava por inteiro; Queria ser amado, mas sem exigir sentimentos.
Para ele, o amor só valia quando causava alegria. Era de um tanto delicado que perturbava aqueles que não sabem receber o amor. Porque não é simples recebê-lo.
Mas talvez perturbasse mais por não se deixar desvendar...
Era homem, feito anjo; sem asas, era anjo, feito homem. Sabia voar, a sua maneira, sabia fazer voar, através dos sentimentos que oferecia.
Talvez não fosse um homem, talvez nem fosse um anjo...
Certamente isso é uma fábula para quem não acredita em anjos ou em arco-íris ou mesmo em amor...
Não há um único nome. Existem vários. Aos homens, todos os outros homens, ele era, mesmo sem saber, uma parte de dentro de cada um.
Seu nome era CORAÇÃO.

Corações Calejados



Fala-se de mãos e pés calejados, mas pouco se fala de corações calejados.
Portanto ... quanta gente há por aí vivendo como se não fosse possível ter sentimentos porque um dia foram magoadas.
As pessoas mais duronas, que parecem indiferentes ao amor, carinho e ternura, são pessoas endurecidas pela vida.
São vítimas de uma dor que não souberam gerir.

Uma empresa mal administrada, vai a falência, um coração mal dirigido vai a ruína. Somos nós os gerentes de nossa vida.
A nós cabe as decisões importantes que conduzirão nosso caminho.
Você já experimentou andar com um sapato apertado?

No início a gente agüenta faz até cara bonita e se diz que depois vai amaciar. Mas isso nem sempre acontece e depois de algum tempo percebemos que, mesmos se as pedras no caminho podem fazer mal melhor mesmo é deixar esse sapato de lado, ainda que seja aquele que a gente tanto desejou e até se sacrificou para adquirir .

Há pessoas que calejam nosso coração.
Fazem parte da nossa vida e as amamos, mas nos fazem mal... tanto e tanto que acabamos fechando aos poucos as portas de nosso coração a outras possibilidades . Nos trancamos dentro dele e vivemos na escuridão da nossa própria sombra.

Não permita que alguém magoe seu coração a ponto de te deixar insensível. Não deixe de acreditar nas estrelas porque um dia as nuvens escuras encobriram seu céu.

Se seu coração está calejado, cuide dele com mais carinho ainda.
Que seja ele a transformar a atitude dos outros em relação a você e não ao contrário !

Se alguém que você ama só quer brincar com seu coração, talvez essa pessoa não mereça o amor que você sente.
E por mais difícil que seja guarde o seu coração das asperezas, não deixe que as decepções o endureçam .
Olhe em outras direções, dê uma chance aos que te querem bem e ao seu coração de ser cuidado com carinho que ele merece.

E você também!

Se for isso que você queria ouvir, o recado está dado.

Agora é com você...